segunda-feira, 21 de junho de 2010
quarta-feira, 5 de maio de 2010
Assim de viés (aqui, e não lá)
"Conheci certa vez, totalmente por acidente, uma moça totalmente de viés - lá na esquina, acendendo um cigarro, no canto do meu olho, brilhando! Não me apaixonei, já passei da idade pra isso, mas cativou-me até certo ponto - desisti do meu caminho, sei lá qual era, e fui lá, todo perna entre pernas, dizer oi. Garanti ser só um bom rapaz, sem intenções sexuais, dizendo só olá, e, embora desconfiada, pareceu acreditar. Engatamos logo de cara uma conversa estimulantíssima, gargalhamos repetidas vezes enquanto discutíamos a ditadura de Pinochet - hahaha, pobre Allende, aquela morsa de rosto pelado, quantos suspiros... Contei-lhe sobre minhas aventuras na selva, coletando pequenas conchas trazidas por gaivotas perdidas, e sua silhueta pareceu até mesmo afinar enquanto me ouvia, sorriso nos olhos, tão atenta... Aliciei-a o quanto pude, aquela rapariga tão singular e esguia, que sumia nas beiradas caso a deixasse escapar. Apaixonante, ainda que eu não a amasse! Ofereci-me para lhe ensinar sobre o teatro grego clássico - era sedenta pelo saber, aquela mulher de sorriso malicioso. Fomos para minha casa, tão interessante ela era, e logo que lá chegamos a assassinei e empalhei."
trecho do diário de A. F. W. Wolschousen
trecho do diário de A. F. W. Wolschousen
segunda-feira, 22 de março de 2010
janjão
janjão decidiu aos 15 anos não sair mais de casa. era um herdeiro rico demais com pais mortos de tuberculose há 10 anos então foi fácil. aumentou a casa antiga 5 vezes e fez um quarto pra jogar boliche. fez amigos novos mais velhos que usavam terno e não usavam. os empregados não podiam mais falar. batia punheta sozinho com todo mundo olhando. só usava sapato de madeira. um copo de limonada todo dia de manhã. sempre um filme italiano diferente projetado na parede. explodiu a casa do vizinho e fez um canil. gostava de budismo. procurou não usar mais capas depois de saber que era ridículo. nunca conheceu os avós não fez questão. fomentador da economia. um dos três brasileiros mais importantes da última década grande grande grande homem responsável por tantos. mais magro do que gordo. não queria apaixonar porque era muito complicado. não-protagonista. viveu feliz pra sempre.
quinta-feira, 11 de março de 2010
senhor romance
dele e disse que ele nunca mais ia fazer isso com ela, voz calma, pausada, só o nariz meio tremendo, e o olho vermelho ainda, e virou as costas e foi embora, e ficou só ele lá parado olhando a porta fechada e as coisas dela espalhadas que ela não fazia questão de buscar porque em paris tem tudo novo e íam pagar bem. Não deu tempo de se arrepender, foi direto pro ódio - só pra ficar mais mal depois. Ela era mais bonita quando ele ficava mal, mas ele não contava isso pra ninguém.
Um comentário sobre como todas as discussões são iguais - interioriza-se - e banalizando, vamos assim, despersonalidade e catequese - até o cheiro dela já sumiu, virou parede - até a gente escrever uma obra-prima. e aí vende.
não tem rosto
não tem língua
só uma descrição acurada e poética de um sofrer préprocessadopós
no qual o meu fôlego vale tanto quanto o passado mais que verdade descrito
só um
rondó de cimento
para o meu amor
lá longe de tudo
porque sabe que não
tem mais.
Um comentário sobre como todas as discussões são iguais - interioriza-se - e banalizando, vamos assim, despersonalidade e catequese - até o cheiro dela já sumiu, virou parede - até a gente escrever uma obra-prima. e aí vende.
não tem rosto
não tem língua
só uma descrição acurada e poética de um sofrer préprocessadopós
no qual o meu fôlego vale tanto quanto o passado mais que verdade descrito
só um
rondó de cimento
para o meu amor
lá longe de tudo
porque sabe que não
tem mais.
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
panorama de intenção
era pra demolir isso tudo, o vestido cor-de-rosa voando feito fumaça em cima de uma pedra amarela, oitocentas nuvens girando sem ameaçar de verdade: não tinha mais nada, nenhuma marca no chão, nenhuma cicatriz no meu braço, só um espaço vazio e três fôlegos a mais. eu quero dizer que não sei mais como continuar andando desse jeito, desse jeito eu fui embora, o mundo não estica o quanto precisa e meu dedo vai quebrar - fugi daqui o quanto pude.
"Nenhum lugar que não seja agora"; eu gritei, perderam meu sapato, esquina da vergueiro com não sei o quê, três vans gigantescas em terremoto, duas freiras voando, um raio pergunta um ou 2 e assim não, assim se rasga tudo, eu não sei se terno sei só correr eu beijo mordendo e então João Rodrigues perdeu-se para sempre de sua memória e se tornou como que uma tartaruga colada ao chão em frente ao início da Av. Paulista, sempre inerte e sempre pensando pensar em uma mulher que há muito tempo quebrara sem remorso ou (vejo você sorrindo) coceira todos os seus televisores, e agora ele é só meio - caí em qualquer lugar de mar e paredes comidas onde todos os lados que eu sei ir são velhos e assim arranquei todo meu cabelo e dei pra um velho e você nem se impressionou, invisível, explode uma bomba no coração da nação e eu grito ficção!, mais-que-real-, moderno?, dem-ocr-athico, três djins, um homem que voa perseguido por um tanque de guerra sem piloto, sete mil anos em combate, nenhuma trégua, eu só sei assistir (criar-arsim) e re-pensar, revendo, na hora, interno, só posso recusar, pra sempre, um tapa em quem colocar um dedo em mim, infinitas cores e todas de mentira, eu não sou o status-quo, só às vezes, desculpa, eu só quis um mundo legal pra te engravidar, é egoísmo e fantasia burguesa, e aí meto um tiro na cara e pronto.
só resistindo, a resistência
"Nenhum lugar que não seja agora"; eu gritei, perderam meu sapato, esquina da vergueiro com não sei o quê, três vans gigantescas em terremoto, duas freiras voando, um raio pergunta um ou 2 e assim não, assim se rasga tudo, eu não sei se terno sei só correr eu beijo mordendo e então João Rodrigues perdeu-se para sempre de sua memória e se tornou como que uma tartaruga colada ao chão em frente ao início da Av. Paulista, sempre inerte e sempre pensando pensar em uma mulher que há muito tempo quebrara sem remorso ou (vejo você sorrindo) coceira todos os seus televisores, e agora ele é só meio - caí em qualquer lugar de mar e paredes comidas onde todos os lados que eu sei ir são velhos e assim arranquei todo meu cabelo e dei pra um velho e você nem se impressionou, invisível, explode uma bomba no coração da nação e eu grito ficção!, mais-que-real-, moderno?, dem-ocr-athico, três djins, um homem que voa perseguido por um tanque de guerra sem piloto, sete mil anos em combate, nenhuma trégua, eu só sei assistir (criar-arsim) e re-pensar, revendo, na hora, interno, só posso recusar, pra sempre, um tapa em quem colocar um dedo em mim, infinitas cores e todas de mentira, eu não sou o status-quo, só às vezes, desculpa, eu só quis um mundo legal pra te engravidar, é egoísmo e fantasia burguesa, e aí meto um tiro na cara e pronto.
só resistindo, a resistência
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
maldição
ele me deu só uma pétala, sem a flor, e disse que assim era mais bonito; eu peguei e coloquei na palma da minha mão e apertei forte e olhei na cara dele e disse que duvidava, mas fui pra perto e beijei, ele foi pro egito amanhã e deixou a chave da casa dele, não consegui dormir de noite só me encostando na parede tentando deitar nela sem conseguir, muito dura, de manhã ligou e disse quantos beijos me devia, eu chorei só pelos olhos e disse pra me trazer areia, ouvi o som de desligar e todos os sons que vêm depois, comi um beijinho e me deu tontura, dormi mas com pesadelo o tempo todo com inundação, acordei com gosto de água de esgoto e vendo ainda minha cabeça embaixo do rio; fui pra casa dele e vi meu reflexo na tv, tomei banho com o xampu dele e deixei a água quente me queimar um pouco, rezei pra ele sonhar comigo e corri, mais tarde, até cansar, até o escuro, voltei e li um jornal velho, ri dos quadrinhos e das notícias, me enrolei num cobertor e fiz feijão, comi no chão e cortei a unha, apertei meu braço até ficar vermelho, sonhei com nuvem e sorriso no ar; ele morreu em uma pirâmide dois dias depois.
domingo, 29 de novembro de 2009
em si
ontem saí de casa e entrei num prédio
cheio de homem morto
eles me perguntaram que horas eram
meu relógio ficou mudo
disse quase meio dia
agradeceram
saí e vomitei
o chão já sujo.
toma cuidado
te meto um murro
prabrir caminho.
vi a tv
vindo lenta
pisquei e era outro canal
duas três vezes
sorriu pra mim um homem loiro
uma mulher feia
de peito feio
(grito na janela)
não tem filhos eu espero
nenhum filho mamaria nisso
tóxico
ela vomita porra
e sorri pro brasil.
já sem sapato
queimando o chão com o pé
puxo o ar tossindo
cheiro de vazio e de fumaça
só uma velha na rua
ela come minha carteira
fujo de patins
deixo meu cabelo de armadilha
ela engasga e tropeça
consigo me esconder.
É UMA TROPA
o céu raio
uma flecha que é um osso de dinossauro
esmaga um poste
TREME
meu prédio sumiu
não me importo
pés milhões na fumaça
gritando revolução
derrubando os troncos e engolindo grama
eles são
verde-marrons
em forma de cobra
andando de quatro.
TRÊS MILHÕES
demáscaras.
cavo um buraco
buraco cavado
entro nele
e furo meu olho
chuto a terra
até abafar.
cheio de homem morto
eles me perguntaram que horas eram
meu relógio ficou mudo
disse quase meio dia
agradeceram
saí e vomitei
o chão já sujo.
toma cuidado
te meto um murro
prabrir caminho.
vi a tv
vindo lenta
pisquei e era outro canal
duas três vezes
sorriu pra mim um homem loiro
uma mulher feia
de peito feio
(grito na janela)
não tem filhos eu espero
nenhum filho mamaria nisso
tóxico
ela vomita porra
e sorri pro brasil.
já sem sapato
queimando o chão com o pé
puxo o ar tossindo
cheiro de vazio e de fumaça
só uma velha na rua
ela come minha carteira
fujo de patins
deixo meu cabelo de armadilha
ela engasga e tropeça
consigo me esconder.
É UMA TROPA
o céu raio
uma flecha que é um osso de dinossauro
esmaga um poste
TREME
meu prédio sumiu
não me importo
pés milhões na fumaça
gritando revolução
derrubando os troncos e engolindo grama
eles são
verde-marrons
em forma de cobra
andando de quatro.
TRÊS MILHÕES
demáscaras.
cavo um buraco
buraco cavado
entro nele
e furo meu olho
chuto a terra
até abafar.
Assinar:
Comentários (Atom)
